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Pesquisadores criam ração para tilápia mais barata e de qualidade

Pesquisadores do Instituto da Pesca de Rio Preto desenvolvem formulações de ração para criação tilápia que reduzem custos de produção e são saudáveis para a espécie

 

Produção de tilápia em tanques-rede no reservatório da usina hidrelétrica de Ilha Solteira; região tem a maior criação do Estado (Divulgação)

Para atender a demanda de piscicultores da região do Noroeste Paulista, o Instituto de Pesca de Rio Preto desenvolveu, por meio pesquisas, formulações de ração que diminuem custos para os produtores de tilápia da região. Com a maior concentração de criação de tilápia do estado de São Paulo, em tanques-redes nos reservatórios de Ilha Solteira, o Brasil é o quarto maior produtor mundial da espécie, que representa 60% da produção do País. Os dados são da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Em 2019, a produção chegou a 65 mil toneladas de tilápia no estado, o segundo maior produtor brasileiro da espécie, liderado pelo estado do Paraná, com 146,2 mil toneladas.

O pesquisador do Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, de Rio Preto, Eduardo Abimorad, diz que a partir de três formulações de ração para a produção de tilápia foi possível reduzir em até R$ 30 mil os custos com alimentos para criar 100 toneladas do peixe. A pesquisa também apontou vantagens no desenvolvimento da tilápia, com redução de 5% de mortalidade e a diminuição de 20 dias do ciclo de produção, que normalmente é de 200 dias.

“É tudo muito dinâmico quando falamos em alimentação para os peixes. São custos que fizemos na época, há cerca de um ano. Os preços de insumos se alteram muito, mas o importante é que o produtor tem uma ração de qualidade, saudável. Ele sabe o que está oferecendo para a produção de tilápia”, disse Eduardo, destacando que isso não significa que as rações comerciais não sejam de boa qualidade.

Eduardo acrescentou que as formulações, desenvolvidas para um piscicultor do município de Zacarias, foram produzidas por ele mesmo em uma pequena fábrica de ração, com a necessidade de investimentos em equipamentos para fazer toda a mistura de nutrientes usados para o produto final. “São várias matérias-primas utilizadas, como as de origem animal (farinha de peixe, vísceras de frango e ossos de bovinos) e de origem vegetal (farelo de soja, milho e sorgo), entre outras. São cerca de oito tipos de matérias-primas para atingir os níveis exigidos para alimentar o peixe”, afirmou.

Nas três fórmulas de ração desenvolvidas, na primeira o produtor utilizou uma alimentação para recria de tilápia, com peso entre 30 gramas e 300 gramas. De acordo com o crescimento do peixe, o pesquisador explicou que modifica a exigência dos ingredientes. Uma segunda formulação foi desenvolvida para peixes em fase de terminação, com peso entre 300 gramas e 900 gramas. E em uma última ração produzida, uma opção para a substituição de ingredientes, de acordo com os custos dos insumos.

“A substituição de ingredientes é importante para a diminuição de custos para o piscicultor. Um exemplo muito interessante é com o farelo do milho, um alimento que se apresenta mais caro no mercado, e o produtor pode substituir por sorgo, sem desequilíbrio de nutriente e que representa economia para os gastos com a produção”, disse Eduardo.

As pesquisas do Instituto de Pesca, além de tilápias e de outras espécies de peixes, visam várias frentes de trabalho com a nutrição, com os níveis de exigência do peixe, relacionadas à temperatura, digestibilidade de enzimas e uma série de nutrientes que os pesquisadores levam em conta para obter as formulações na ração.

“São três frentes de trabalho na pesquisa, com a primeira fase dando ênfase ao melhor desempenho, crescimento e saúde do peixe. Em outra etapa, a viabilização econômica, para que o produtor possa ter preço competitivo no mercado, ao diminuir custos com a produção. E por último, a quantidade equilibrada de ração oferecida à tilápia, com uso sustentável ao meio ambiente”, ressaltou Eduardo.

Segundo o pesquisador, é grande o interesse dos piscicultores em redução de custos, mas sem perder a qualidade de manejo com a alimentação. Com os produtos que foram disponibilizados pelo Instituto de Pesca de Rio Preto, Eduardo disse que foi possível uma economia de R$ 0,20 por quilo de ração, o que gerou a economia de R$ 30 mil, no caso do produtor de tilápia que utilizou as formulações.

Produtor monta fábrica
O produtor de tilápias Sérgio Moura, de Zacarias, diz que os gastos com a alimentação dos peixes eram altos, atingindo 70% do custo com o manejo, quando resolveu procurar o Instituto de Pesca de Rio Preto para as orientações com a ração dos animais. “Fiquei muito satisfeito com as fórmulas que os pesquisadores me orientaram a comprar”, disse Moura.

Para produzir a ração, o produtor precisou fazer o investimento de R$ 80 mil na compra dos equipamentos e ainda está acertando as instalações, que exigiram ainda alguns ajustes, como o uso de energia elétrica. “Com a pandemia do coronavírus, quando iniciamos no ano passado a produção da ração, tivemos que reavaliar tudo, pelas incertezas que as medidas de fechamento de restaurantes e bares trouxeram para os produtores de tilápia, já que os maiores clientes do peixe são os que procuram estes comércios”, disse Moura.

A instalação de uma mini fábrica de ração exigiu a compra de uma máquina extrusora (que gera produtos contínuos) e de um moinho, tudo para deixar a ração em uma espessura mínima, de um milímetro ou até menos. “Ainda tivemos que fazer alguns acertos junto à concessionária de energia, para adequar melhor a fábrica”.

Em produção média de 40 toneladas de tilápia por mês, Moura acredita que a economia, em torno de R$ 30 mil a princípio, foi essencial para manter a produção. “O interessante também é que podemos substituir os nutrientes que estão mais caros, como o milho e a soja”. (CC)

 

Fonte: Cristina Cais, Diário da Região, 04 agosto 2021 ( https://www.diariodaregiao.com.br/economia/agronegocio/pesquisadores-criam-ra%C3%A7%C3%A3o-para-til%C3%A1pia-mais-barata-e-de-qualidade-1.794992)


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